Peñico, um antigo centro urbano de 3.800 anos de idade nos vales de Supe e Huaura, se junta aos grandes destinos arqueológicos do Peru.

Um novo rosto do passado andino
A arqueóloga Ruth Shady, diretora da Zona Arqueológica Caral (ZAC), apresentou as descobertas no Ministério da Cultura, destacando que Peñico, localizada na província de Huaura, região de Lima, funcionou como um elo vital entre populações da costa, da serra e até da selva durante o período de 1800 a 1500 a.C. Essa cidade, que seguiu os padrões culturais da civilização Caral, foi denominada "Cidade da Integração Social" devido ao seu papel articulador em redes de interação e comércio ancestral.
Construída a 600 metros acima do nível do mar, Peñico está situada sobre um terraço natural junto ao rio Supe e é cercada por morros de até 1.000 metros de altura. A escolha deste local não foi casual: suas condições geográficas protegiam a população de desastres naturais e, ao mesmo tempo, permitiam a conexão entre diversos territórios e culturas.

Herdeiros de Caral e guardiões do intercâmbio
Os arqueólogos propõem que, após a perda de influência das primeiras grandes cidades do vale de Supe, como Caral, os habitantes de Peñico continuaram sendo atores-chave nas redes de intercâmbio econômico e social já estabelecidas. Um dos elementos centrais desse sistema foi a hematita, mineral utilizado para obter um pigmento vermelho de grande valor simbólico na cosmovisão andina.
Graças ao seu prestígio, Peñico conseguiu manter seu papel como nó de conexão entre diferentes regiões, o que reforça sua importância não apenas arquitetônica, mas também cultural e econômica.

O Salão dos Pututus: um espaço de poder e ritual
Das 18 estruturas identificadas no sítio, destaca-se o Edifício Público Maior B1-B3, em cujo interior se encontra o "Salão cerimonial dos Pututus". Esse espaço apresenta relevos esculpidos com figuras de pututus, trombetas feitas de concha marinha, utilizadas ancestralmente para convocar a comunidade, anunciar eventos e como oferendas às divindades.
O edifício, por sua escala e localização, foi provavelmente o centro administrativo e ideológico de Peñico, onde se realizavam cerimônias e decisões políticas sob a direção dos líderes locais. Em seu interior foram encontradas esculturas de barro não cozido, representando figuras humanas, animais e objetos rituais. Além disso, foram achados colares confeccionados com materiais valiosos como o Spondylus, pedras semipreciosas e restos ósseos, junto com uma rica variedade de ferramentas líticas.

Peñico Raymi 2025: uma celebração ancestral
Para celebrar a recuperação e abertura do sítio, a ZAC organizará o primeiro Peñico Raymi, uma festividade andina que acontecerá no sábado, 12 de julho de 2025, às 10h. O evento incluirá uma cerimônia de pagamento à Pachamama, atividades culturais e artísticas, e um reconhecimento especial à comunidade local por seu compromisso com o patrimônio cultural.

Turismo cultural com serviços modernos
Peñico já conta com infraestrutura básica para o turismo, incluindo estacionamento, uma área de recepção e um moderno Centro de Informação e Interpretação. Nesse espaço, os visitantes poderão aprender sobre a história e a cultura do sítio por meio de recursos interativos como dioramas, maquetes, infográficos e recriações digitais.
Como visitar Peñico?
O acesso ao sítio leva aproximadamente quatro horas e meia a partir de Lima. Segue-se a mesma rota que leva à Cidade Sagrada de Caral, desviando pelo vale de Supe na altura do quilômetro 184 da Panamericana Norte. A partir dali, são 34 quilômetros até chegar ao sítio arqueológico.
Peñico recebe visitantes todos os dias, incluindo feriados, das 9h às 16h, convidando a todos a descobrir uma nova página da história do antigo Peru.
Peñico já está pronto para deslumbrar o mundo. Um passado milenar se reativa para continuar construindo identidade, memória e futuro.









